Boom de obras públicas tira construção da crise

A construção e obras públicas, depois de vários anos de crise, está a recuperar, "reabsorvendo" já alguns desempregados. E a actividade deverá consolidar-se no decorrer deste ano, em resposta ao lançamento de obras por parte da administração pública, de acordo com expectativas ontem divulgadas pela Federação Portuguesa da Indústria de Construção e Obras Públicas (Fepicop).

Em comparação com Novembro de 2006, existiam para o mesmo mês do ano passado menos 8,5 mil desempregados no sector da construção de um total 32,2 mil desempregados registados na actividade. "Esta baixa do número de desempregados na construção é consonante com o que se afirmou sobre a melhoria dos níveis de actividade em 2007", descreve o relatório da associação.

À excepção do segmento de edifícios residenciais, a produção global do sector - medido pelo índice da Fepicop - "em nada se assemelha à quebra do ano anterior". A retracção na construção de apartamentos é considerada pela associação como "grave", mas já o segmento de escritórios e lojas "superou as expectativas", quer em termos de "melhoria dos seus níveis de licenciamento, quer de produção".

As obras de engenharia civil aumentaram os seus ritmos de produção "significativamente em 2007", afirma a Fepicop, que espera um acelerar da produção no decorrer deste ano, "em resultado de um esforço por parte da administração pública no sentido de adjudicar obras já lançadas há algum tempo".

Numa análise ao mercado, a Fepicop considera que "as distorções dos níveis de concorrência apurados ao longo do ano foram deixando de ser tão acentuadas como foram em 2006".

A antevisão optimista do relatório da associação não é por acaso. Até 2015, a carteira de obras públicas a serem passadas para o terreno está contabilizada em mais de 15 mil milhões de euros, de acordo com afirmações de Mário Lino, ministro das Obras Públicas, ontem ao almoço com a Câmara de Comércio Luso-Britânica. Projectos como o aeroporto em Alcochete, a terceira travessia do Tejo, a construção de barragens e de mais mil quilómetros de auto-estradas deverão alavancar, só por si, as obras públicas e o sector de fornecimento de serviços durante os próximos anos, com a previsível intensificação no recrutamento de mão de obra ligada aos sector.

Diário de Notícias

2008-01-16
outras notícias
2010
2009
2008
2007
2006