Mota-Engil entra no top-50, Vinci lidera

As construtoras Mota-Engil, que entra no top-50, Teixeira Duarte e Soares da Costa são as únicas empresas nacionais a figurar no relatório elaborado pela consultora Deloitte sobre as 100 maiores empresas europeias do sector. O relatório anual "European Powers of Construction 2009" atesta que apesar da melhoria dos resultados globais das empresas, face ao que havia sido registado em 2008, o ano fica notoriamente marcado pela recessão. De acordo com os dados da consultora, a empresa liderada por António Mota subiu 26 lugares face ao ano passado, alcançando a 45.º posição, enquanto que a Teixeira Duarte ocupa o 78.º lugar, e a Soares da Costa o 86.º lugar.

Ano de recessão

O ‘European Powers of Cons­truc­tion 2009" apresenta o ranking anual das 100 maiores empresas europeias de construção, baseado nas receitas de construção, e faz a análise profunda dos desafios futuros decorrentes do actual ambiente económico. O relatório revela que, a nível europeu, o ano de 2009 tem sido marcado pela recessão, com o sector da construção a ser um dos mais duramente atingidos. Até agora, o financiamento público tem ajudado a prevenir uma maior retracção económica no sector, mas com a significativa queda da procura no sector privado e os cortes governamentais previstos, a comercialização durante a recessão é dura e manter-se-á muito competitiva em 2010. João Costa da Silva, partner da Deloitte responsável pelo sector da Construção, destaca que "para o ano de 2009, as perspectivas de resultados globais do sector da construção não são muito animadoras, mas existem alguns sinais de retoma. Por um lado, o mercado de construção residencial deverá sofrer uma quebra de 3 a 5% um declínio com algum peso, pois é um segmento representativo de 38 por cento do sector em Portugal. Por outro, no campo da engenharia civil é expectável um crescimento de 6 a 8%, num sector com um peso global de 37%. Em 2010, todas as expectativas estão depositadas nos grandes projectos de investimento público, como o novo aeroporto de Lisboa ou a linha de alta velocidade e as parcerias público-privado (PPP)".

Os números na Europa

O ranking é dominado pelos britânicos que entre as 100 maiores construtoras europeias conseguem colocar 27 empresas, embora os valores apresentados pela Deloitte permitam constatar que em termos de receitas na Construção, as receitas totais alcançadas pelas cinco construtoras francesas (21,9% do total do top100) são superiores aos das empresas do Reino Unido (18,6%), muito graças à fragmentação do sector e à forte quebra no mercado de construção residencial. O documento agora apresentado revela que os proveitos médios sofreram grandes alterações face ao registado no relatório de 2008 e reflectem alterações na estrutura da indústria, tal como a presença de grandes construtoras em países mais pequenos. O relatório foca ainda a situação de mercados como o espanhol e francês que embora mais "fechados" à presença de empresas nos seus mercados internos, dispõem de estratégias que permitem significativas operações internacionais das suas empresas. A empresa francesa Vinci continua a liderar o pelotão do top 100 das maiores empresas europeias de construção, com receitas de construção de cerca de 30 mil milhões de euros (comparado com 26 mil milhões de euros em 2007), no ano fiscal de 2008. A França domina o top 10, com três empresas, seguida pela Alemanha, com duas. Nenhum outro país tem mais do que uma empresa no top 10. No entanto, uma vez que as empresas deste sector de actividade se caracterizam pela alta diversidade de negócios, quando olhamos para o total de receitas, as empresas espanholas sobem no ranking. Esta perspectiva leva a que quatro empresas espanholas saltem para o top 10: o ACS Group, o Grupo Ferrovial, a FCC SA e a Acciona, arrastando a Balfour Beatty, do Reino Unido, para a 11.ª posição. O mesmo acontece com as empresas portuguesas, que subiriam consideravelmente no ranking, se este fosse o critério.

Controlo de custos é necessidade

Miguel Eiras Antunes, partner da Deloitte revela que "medidas de contenção de custos são a chave, assim como a gestão efectiva do fundo de maneio. Um dos grandes receios é que o menor volume de trabalho leve a uma elevada pressão sobre os preços, originando uma fixação de preços irrealista, o que, em última análise, seria uma situação insustentável para o sector". João Costa da Silva, destaca: "Pelos resultados financeiros apresentados, é evidente que a recessão ainda não afectou completamente o sector europeu da construção. Pelo contrário, os construtores de habitação foram atingidos mais cedo no ciclo da recessão. Desde o abrandamento do mercado imobiliário, que se começou a sentir durante 2007 e que se tornou ainda mais visível em 2008, foram registados níveis de crescimento cada vez mais baixos. Os construtores de habitação são historicamente os primeiros a serem afectados por uma recessão económica e este período não é excepção".

O caso de sucesso da Vinci

Embora dominada pela "armada britânica", o estudo apresentado pela Deloitte sobre as 100 maiores construtoras europeias é liderada por uma francesa. A Vinci tem a sua génese em 1899, na então Société Générale d´Entreprises e a grande "explosão" no seu crescimento dá-se por volta de 1980. Ainda assim, ao longo dos anos vários foram os processos de aquisição da empresa, desde as construtoras Sogea e Campenon Bernard à Norwest Holst, ligada à área do ambiente. A maior empresa mundial do sector da construção e engenharia assume a designação Vinci em 2000 e em 2001 adquiriu o grupo GTM. A Vinci actua neste momento como uma holding que se alarga a quatro áreas estratégicas: concessões, energia, estradas e construção. Em 1998 e 1999, a SGE iniciou a reestruturação das suas participações, agrupando as suas filiais em quatro divisões: Concessões, Equipamento (que depois se tornou Energia e Comunicações), Estrada e Obras e Construção acompanhado a sua reorganização com um novo compromisso para o crescimento externo. Começando em 1998, foram várias as aquisições importantes, incluindo a compra da Freyssinet de Terre Armée Internationale, em 1998, com três empresas de protecção de incêndio, Calanbau, Mecatiss e Vraco em 1999, e em seguida a Ménard Soltraitement, Teerbau, líder alemã na área das rodovias.

construir.pt

2010-01-04
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